Ela recebeu em dobro
o sopro da promessa.
Dois corações pulsando
no mesmo ventre,
como se o céu tivesse dito:
confio em ti.
Mãezinha doce,
de mãos que se multiplicam,
de colo que se estende
como pão repartido.
Ela ama sem dividir,
porque aprendeu com Deus
que o amor, quando vem d’Ele,
sempre se soma.
Carrega nos olhos
a vigilância de quem ora,
nos lábios a palavra mansa,
no peito a fé de Ana,
que consagrou seus filhos
antes mesmo de vê-los caminhar.
Seus dias são salmos vivos:
há cansaço, sim,
mas há louvor.
Há noites longas,
mas também a certeza
de que “o choro pode durar uma noite,
mas a alegria vem pela manhã”.
Mãe de gêmeos,
eleita para a dupla missão,
escolhida para ensinar
que Deus faz milagres em par
e confia grandes mistérios
a corações mansos.
Ela é abrigo,
é resposta de oração,
é ventre que ecoa vida.
Como Maria, guarda tudo no coração,
e como o bom pastor,
conhece cada filho pelo nome.
E assim caminha,
sustentada pela graça,
sabendo que Aquele
que lhe confiou dois milagres
também a fortalece
a cada amanhecer.
Poema-homenagem para uma amiga querida que estava grávida de gêmeos. Ter gêmeos é um dom da vida, existência inexplicável.