
Foto: Alonso Junior
Aconteceu na tarde desta terça-feira, 02 de dezembro de 2025, a abertura oficial da exposição “Em-Florestar: Exposição Artístico-Científica em Educações Amazônicas”, realizada pelo Grupo de Pesquisa Vidar em In-Tensões (UEA/PPGEEC). O lançamento reuniu artistas, pesquisadores, estudantes, comunidade e visitantes que, ao adentrarem o corredor aberto de entrada do Bosque da Ciência – INPA, foram convidados a viver uma experiência sensível entre arte, floresta e ciência.
A exposição apresenta instalações interativas, fotografias, performances e um catálogo digital acessível, todos construídos a partir de processos criativos que emergem de imersões na floresta amazônica, de narrativas autobiográficas e de encontros com ancestralidades e saberes originários. Cada obra convoca o público a desacelerar, a sentir o “tempodevagar”, a olhar para os detalhes da floresta e a perceber os modos de existência que resistem e florescem mesmo em tempos de antropoceno.
O projeto foi contemplado pelo EDITAL n.º 016/2024 – Ciência + Arte, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), e é coordenado pela Profa. Dra. Hiléia Monteiro Maciel Cabral, Profa. Dra. Caroline Barroncas de Oliveira, Profa. Dra. Daniela Franco Carvalho e Profa. Dra. Mônica de Oliveira Costa, docentes e pesquisadoras vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências na Amazônia (PPGEEC/UEA).
Durante a abertura a Profa. Dra. Caroline Barroncas, emocionou o público ao apresentar a essência do projeto:
“Em-florestar nasce do desejo de escutar o que a floresta sussurra, nos convidando a sentir o tempodevagar, o espaço do miúdo. Surge da arte do encontro entre corpos (folhas, terra, plantas, águas e muitos outros seres viventes) e as encantarias, nos ensinando outros modos de habitar COM o mundo. Permitir-se em-florestar-se é um gesto de reexistência sensível no antropocentro. Um chamamento para a cidade respirar floresta, sentir a amazônia, entre as imagens, fotografias, instalações e performance que fazem lembrar o Si comunhão em ancestralidades.”.

Foto: Alonso Junior
Para a Profa. Dra. Daniele Franco:
“A exposição surgiu de um desejo coletivo de reunir as produções artísticas inspiradas e realizadas durante a imersão na mata com o coletivo Arte & Escola na Floresta, em junho de 2024. A intensidade do vivido desaguou em um e-book, publicado pela Pedro & João Editores, e agora se materializa em fotografias, obras e performances apresentadas ao longo da exposição, com apoio da FAPEAM. Escolher o Bosque da Ciência significou unir arte e conhecimento científico em um mesmo corpo vivo entre vegetais, águas, animais e todos os seres que habitam o lugar. É uma celebração da vida em comunhão, em festa.”
A artista-pesquisadora Ana Maria Silva, uma das participantes da mostra, também compartilhou sua experiência diante do processo criativo e da abertura:
“Voltar para a instalação depois da abertura foi perceber que tudo aquilo que intuíamo ,e que nem sabíamos ainda nomear, aconteceu com uma força que atravessa. ‘SonhArte-se em Floresteiros Amazônidas’ ganhou corpo para além do que imaginávamos: os verbos amazônidas pulsaram, sopraram, se enroscaram nos visitantes como raízes que chamam para perto. Entre fios, ventos, folhas e pequenos surgires, vimos as pessoas tocadas pelo movimento que criamos juntas: Hivina, Lúcia, Maria Eduarda, Nereide e eu (...) Minhas expectativas não só foram supridas — elas foram expandidas. A exposição abriu verbos que eu nem sabia que existiam em mim. E ali, entre rios e folhas, compreendi que na Amazônia podemos sonhar tudo o que ainda não tem forma, mas já pulsa.”
O público presente vivenciou performances poéticas, instalações que dialogam com a natureza sem causar danos ao espaço e fotografias que emergem da relação íntima entre corpo, tempo e floresta. O clima foi de encontro, afeto, contemplação e troca entre os visitantes e os artistas. Tivemos as performances: “Encante” de Correnteza Braba, “(Cor)poRque Resiste em Mim - Barro, Sangue e Rios” de Deihvisom e “Devir-Máscara: o Silêncio da Floresta em Mim” de Jackeline Monteiro. Contamos, também, com as instalações: “Ensinança das Folhas” de Léia Lima e “SonhArte-se em Floresteiros Amazônidas” de Ana Maria Xavier, Hívina Dorzane Machado, Lúcia Cristina Cortez de Barros Santos , Nereida Tavares Neves & Maria Eduarda Gloria Neves, e abrilhantando a exposição as fotografias: “O corpo em contaminações de uma esquizo-ciência” de Hannyn Barbara Alves Garcia (desencanto), “O que nasce quando o corpo se suspende” de Fabiane Andrade, “Devir-floresta com Avelina Flux” de Guilherme Araújo e “Voltar a Manaus” de Beto Oliveira.

Foto: arquivo pessoal da exposição
A exposição permanece aberta ao público até o dia 30 de janeiro de 2026, com visitação livre no corredor de entrada do Bosque da Ciência – INPA. O catálogo digital, em constante expansão, já está disponível via QR Code nas placas da mostra.

Foto: Alonso Junior
Realização: Vidar em In-Tensões
Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas - FAPEAM
Parceiros: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, Universidade do Estado do Amazonas – UEA, Escola Normal Superior – ENS, Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências na Amazônia - PPGEEC, Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Ensino de Ciências Naturais na Amazônia - PPGBEC, Grupo de Estudo e Pesquisa em Espaços Educativos Amazônicos – GEPEEA, Bosque da Ciência-INPA, Amplia, Allegriah Grupo de Arte e Cultura, Instituto Witoto e o Arte & Escola na Floresta
Para mais informações acesse nosso Instagram: @vidaremin_tensoes
Serviço
Evento: Em-Florestar – Exposição Artístico-Científica em Educações Amazônicas
Data: temporada de 02 de dezembro de 2025 a 30 de janeiro de 2026
Horário: das 8h às 18h
Local: Bosque da Ciência - INPA
Entrada: gratuita
Classificação: Livre

No próximo 25 de julho, data carregada de significados históricos e simbólicos, a escritora, atriz e mestranda em Educação em Ciências na Amazônia, Jackeline Monteiro, lança seu livro de poemas “Introspecção: da natureza à arte ancestral”, às 10h, no Museu da Cidade de Manaus. A entrada é gratuita e o evento convida o público a compartilhar poesia, arte e reflexões, além de participar de sorteios durante a programação.
A escolha da data para o lançamento é um gesto potente e político: 25 de julho é celebrado como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, instituído em 1992 durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo. No Brasil, a data também marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra — homenageando a liderança quilombola que resistiu bravamente à escravidão no século XVIII — e ainda, o Dia do Escritor, reforçando a importância da palavra como ferramenta de memória, resistência e reinvenção.
“Introspecção: da natureza à arte ancestral” nasce dessas encruzilhadas de identidade, território e memória. É um livro que fala sobre ancestralidade, Amazônia, corporeidade e força feminina, entrelaçando a vivência da autora com as vozes de muitas mulheres amazônidas, negras e originárias que habitam os rios, os quintais e os silêncios do Norte. A obra propõe uma escrita que é também travessia e cura, evocando elementos da natureza como espelhos de si: folhas, águas, raízes e cantos.
O livro teve seu primeiro lançamento em Salvador (BA), em julho de 2024, na Cooperativa Baiana de Teatro, num encontro vibrante com outras escritoras e artistas negras. Agora, retorna às margens do rio Negro, terra natal da autora, em um gesto de reencontro com sua própria origem e com os afetos que nutriram sua caminhada.
Jackeline Monteiro é também representante do Allegriah Grupo de Arte e Cultura, coletivo amazônida que atua com teatro, literatura e educação em comunidades urbanas e ribeirinhas. Sua escrita carrega a marca do sensível e do político, em uma linguagem que mistura corpo, território e poesia em busca de outras formas de existir e resistir.
O lançamento é aberto a todos que desejam levar seus poemas, vozes, tambores e encantarias. Uma ciranda poética onde a introspecção não é solidão, mas um retorno ao útero da floresta — onde a arte é ancestral e viva.
Serviço
Lançamento do livro “Introspecção: da natureza à arte ancestral”
📅 25 de julho de 2025
🕙 10h
📍 Museu da Cidade de Manaus (Palácio Rio Branco – Centro)
🎟️ Evento gratuito | Sorteios | Microfone aberto para poesia
Mais informações: @aglomeracaopoetica | aglomeracaopoetica@gmail.com
"Se na vida perco,
Na escrita, me encontro!
É na escrita,
Que minha alma respira."
Nos vemos lá...