Eu escolho o silêncio
como quem fecha a porta devagar
para não acordar o mundo.
A vida já foi vento demais
batendo nas janelas do peito,
já foi rua cheia,
barulho de passos,
banzeiro agitado de dias sem pausa.
Por isso agora escolho
uma travessia calma
não de partida,
mas de recolhimento.
Sem explicações,
sem discursos,
como quem prepara uma mala leve
e decide caminhar um pouco para dentro de si.
Quero apenas o sossego
de uma alma que respira devagar,
o direito de silenciar o tumulto
e escutar o coração
como quem escuta um rio à noite.
Porque às vezes viver também é isso:
afastar-se do ruído do mundo
para lembrar
que dentro da gente
a vida ainda pode
recomeçar em silêncio.