Jackeline Monteiro
Aglomeração Poética | Um porre de poesia para acalmar a alma
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Textos
Uma Travessia Estranhamente Goiana
A viagem começou com aquela animação despretensiosa de quem só quer sair da rotina. Brasília para Goiânia, algumas horas de estrada, conversa jogada fora e playlists duvidosas no fone de ouvido. Mas, desde o início, o universo já dava sinais de que a aventura seria… peculiar.
O ônibus, coitado, parece que sentiu o peso da nossa empolgação. Pregou no meio do caminho, como se dissesse: "Vocês têm certeza disso?". E a gente, claro, riu da situação, fez piada, tirou foto, reclamou no Twitter. Seguimos.
Chegando em Goiânia, outra novela: todas as hospedagens que tentamos estavam dando errado. Cancelamento aqui, overbooking ali… parecia até que a cidade não queria a nossa presença. Até que uns colegas, numa última cartada, encontraram um lugar. Um lugar… digamos… inusitado.
O quarto tinha uma decoração que beirava o terror psicológico. Quadros com imagens religiosas que mais pareciam personagens de um filme de suspense de baixo orçamento. O guarda-roupa era digno de lenda urbana, daqueles que a gente ouve histórias de crianças presas dentro, chamando pelos pais. Só largamos nossas mochilas e partimos pra noite, com a promessa silenciosa de que voltaríamos o mais tarde possível.
A noite foi boa. Música, riso, comida duvidosa na esquina, gente nova, histórias que já começaram a virar lembrança antes mesmo de terminarem. Mas, quando o sono venceu, voltamos. Já era quase de manhã. Entrar naquele quarto foi como participar de um pacto coletivo de coragem. Dormimos juntos, meio amontoados, como se a proximidade entre nós afastasse os possíveis fantasmas.
Ao acordar, a luz do dia desmistificou metade do nosso medo. A outra metade continuava lá, só por garantia. Mas não tínhamos tempo pra alimentar paranoias. Era dia de explorar. Fomos a vários cantos legais da cidade, rimos das nossas próprias neuras e nos perdemos pela Feira Hippie, comprando coisas que nem precisávamos.
Na volta, a saga rodoviária começou de novo. Já na rodoviária, um dos meninos precisava ir direto pro aeroporto, o voo dele era logo mais. E como bom roteiro de comédia de erros, o ônibus... adivinha? Pregou de novo.
Apareceu então um homem, desconhecido, oferecendo uma solução: dividir um Uber direto pro aeroporto. Parecia uma boa ideia… ou um começo de filme de sequestro. A dúvida ficou no ar, mas o tempo era curto. Nosso amigo foi.
Minutos depois, o grupo inteiro virou uma central de especulações. E se o cara fosse um traficante? Um golpista? Um serial killer? Mandávamos mensagens no WhatsApp e... nada. O silêncio só alimentava nossa teoria mais dramática.
Chegamos ao aeroporto e… nada dele. O outro amigo já estava pronto pra abrir uma queixa contra a empresa de ônibus, enquanto o resto de nós monitorava o WhatsApp como se fosse um filme de suspense interativo.
Até que, como num final de episódio de série de humor ácido, veio a mensagem:
"Galera, cheguei. Já tô indo pra casa. Valeu por tudo."
O alívio veio misturado com riso nervoso. No fim, ninguém foi sequestrado, ninguém perdeu o voo e a história ganhou o direito de ser recontada com exageros nos próximos encontros.
A moral? Nunca subestime uma viagem curta. Goiânia, com suas imagens esquisitas e ônibus temperamentais, nos entregou uma aventura que a gente nunca mais vai esquecer.
Jackeline Monteiro
Enviado por Jackeline Monteiro em 15/06/2025
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